segunda-feira, 21 de setembro de 2015


O NEGRO E A FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA.



Como todos sabemos, e confirmamos ao olhar para as pessoas que formam o povo brasileiro, os negros africanos deram uma contribuição muito importante para o Brasil ser o que é hoje. Depois de uma dura travessia pelo oceano Atlântico, foram obrigados a mudar sua maneira de viver, adaptando seus costumes e suas tradições ao novo ambiente. Misturando-se aos povos que aqui encontraram, deram origem à mestiçagem que amorenou a nossa pele, alongou nossa silhueta, encrespou nossos cabelos e nos conferiu a originalidade de gestos macios e andar requebrado. Ao incorporarem elementos africanos ao seu dia-a-dia nas lavouras, nos engenhos de açúcar, nas minas e nas cidades, construíram uma nova identidade e nos legaram o que hoje chamamos de cultura afro-brasileira. (Marina de Mello e Souza, 2007).
Conhecer essa realidade de perto é uma ótima oportunidade para, de fato, ampliar o horizonte acerca da contribuição do negro na formação da sociedade brasileira sob os mais diversos aspectos e, dessa forma, procurar suscitar debates acerca da discriminação racial; da necessidade da valorização da diversidade étnica e da tolerância e do respeito.
Para conseguirmos alcançar esses objetivos, iremos observar e analisar os diferentes aspectos que integrados montam esse panorama da contribuição do negro na formação sociocultural brasileira.
ATIVIDADE 1.
A POESIA COMO FONTE HISTÓRICA
A poesia constitui uma importante fonte histórica, permitindo-nos adentrar na realidade em seus diversos aspectos: sociais, culturais, econômicos, políticos, dentre outros. A poesia de Castro Alves nos possibilita compreender, de modo profundo o universo da escravidão para o Brasil.


  NAVIO NEGREIRO, 1869 - Castro Alves (1847-1871).



Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
(...)
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .
São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
(...)
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...
(Fonte: http://www.culturabrasil.org/navionegreiro.htm, consultado em 17/09/2011).



DESENVOLVENDO HABILIDADES:


O trecho abaixo situa Castro Alves e o momento romântico do qual participou.
O século XIX brasileiro é caracterizado por quatro tônicas: Nacionalismo, Liberalismo, Retórica e Revolução, não se podendo com toda a certeza precisar onde termina a primeira para dar lugar à segunda e onde a terceira fronteia a última, pois que o espírito que exacerba o Nacionalismo vive de liberdade e esta se exprime sob a forma de discurso ou de tiro de canhão. (...) A Revolução por que se ansiava era preponderantemente a liberal. E Castro Alves, mais do que qualquer outro, foi o poeta da liberdade. Nele a liberdade amplia as asas e, atravessando rios selvagens e cordilheiras, acoberta a terra americana; esplende como coluna de fogo num momento de exaltação à independência baiana; coroa de um halo de heroísmo, imperecível, a fronte de Pedro Ivo; procura ser o ácido que vai dissolver as gargalheiras do escravo; sonha com a alforria republicana. É a liberdade de Lord Byron e de Victor Hugo. A liberdade dos pronunciamentos revolucionários e das lojas maçônicas. A liberdade dos panfletos subversivos e a dos regicídios. A liberdade dos comícios de rua e das aulas discursadas na Academia. A Liberdade total: a Liberdade política de que seria em nosso meio o mais significativo representante, a encarnação mais poderosa. A Liberdade religiosa; a Liberdade econômica (...).
(HADDAD, Jamil Almansur. In: ALVES, Castro. Poesias completas, 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1960).
1. Como você situa Castro Alves com relação às aspirações do momento histórico do qual participou?
2. Castro Alves inicia uma das estrofes do seu poema dizendo “Stamos em pleno mar, era um sonho dantesco...”. Explique o significado da expressão “sonho dantesco” utilizada pelo autor, relacionando-a à ideia central do poema.
3. Faça uma síntese das ideias centrais do poema, as quais permitem entender a visão que o poeta Castro Alves tinha a respeito do tráfico de escravos e da escravidão.
  
4. Antônio de Castro Alves viveu em um contexto no qual a escravidão era ainda um dos pilares da sociedade brasileira. Como o autor expõe, através do poema, o que pensava a respeito da escravização de negros africanos no Brasil da sua época? Justifique sua resposta com argumentação clara e consistente.


ATIVIDADE 2
A CARTOGRAFIA COMO FONTE HISTÓRICA
O link abaixo possibilitará o acesso ao trabalho da pesquisadora Maria Cristina Fernandes (UnB), a partir do qual você poderá ampliar seus conhecimentos acerca das diversas situações que marcaram o tráfico do negro ao Brasil e, de modo especial, a cartografia do tráfico.
TAREFA: Procure selecionar os dados que mais chamam sua atenção e, identifique as áreas e etnias de origem e os destinos a que eram encaminhados no Brasil.
ATIVIDADE 3
O NEGRO ATRAVÉS DA OBRA DE DEBRET E RUGENDAS
- Acesse o LINK abaixo:
ATIVIDADE 4
A MÚSICA COMO FONTE HISTÓRICA


TAREFA: Esclareça de que forma é possível associar os elementos da cultura africana às manifestações do tempo presente.

PARA RESOLVER ESTA ATIVIDADE CLICK NO LINK A SEGUIR...

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: Construindo uma Aprendizagem Significativa




INTRODUÇÃO

Caros alunos (as), nesta atividade iremos construir uma análise a partir da Matriz de Referência do Enem de Ciências Humanas e suas Tecnologias, de modo específico considerando a Competência de Área 4, que propõe a você o desafio de ir além de uma visão tradicional sobre o objeto de estudo proposto: a Revolução Industrial. Assim, ao percorrer as habilidades inerentes a tal competência, nosso objetivo é suscitar um olhar mais amplo e analítico sobre nosso objeto de estudo: a Revolução Industrial, procurando estabelecer conexões entre o passado e o tempo presente, tendo como ponto de partida nesta jornada o que nos diz o Historiador Eric Hobsbawm:


“As palavras são testemunhas que muitas vezes falam mais alto que os documentos. Consideremos algumas palavras que foram inventadas, ou ganharam significados modernos, substancialmente no período de 60 anos de que trata este livro. Palavras como “indústria”, “industrial”, “fábrica”, “classe média”, “classe trabalhadora”, “capitalismo” e “socialismo”. Ou ainda “aristocracia” e “ferrovia” (...) “cientista” e “engenheiro”, “proletariado” e “crise” econômica (...) como também greve e “pauperismo”. Imaginar o mundo moderno sem estas palavras (isto é, sem as coisas e conceitos a que dão nomes) é medir a profundidade da revolução que eclodiu entre 1789 e 1848, e que constitui a maior transformação da história humana desde os tempos remotos quando o homem inventou a agricultura e a metalurgia, a escrita, a cidade e o Estado”. (HOBSBAWM, Eric. J. A era da revoluções: 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p. 17)


OBJETIVO

O principal objetivo a que esta atividade se propõe é proporcionar uma ferramenta de aprendizagem que possibilite uma forma de abordagem não-tradicional e sim cative o aluno(a) por meio da pesquisa orientada a ser verdadeiramente protagonista em seu processo ensino-aprendizagem e não um mero espectador dos fatos. Outro diferencial desta atividade é o seu atrelamento a Matriz de Referência de Ciências Humanas e suas tecnologias do ENEM, possibilitando um adequado aprofundamento das competências de áreas e o pleno desenvolvimento das  habilidades envolvidas.

AGORA É COM VOCÊ!! FIQUE ATENTO(a) AO ROTEIRO SUGERIDO E DEIXE SUA RESPOSTA NA PARTE FINAL DA ATIVIDADE, IDENTIFICANDO-SE E CITANDO A TURMA A QUE PERTENCE

Você tem a sua disposição algumas ferramentas que irão lhe auxiliar em seu processo de pesquisa e produção do conhecimento. Uma boa fonte de leitura e pesquisa que pode ser utilizada é o site HISTÓRIA DIGITAL:  http://www.historiadigital.org/tag/revolucao-industrial/. Além dos recursos disponnibilizados no site, os vídeos selecionados(ao lado)  são bem interessantes pelos recursos utilizados.  Vale lembrar que tais ferramentas constituem apenas um reforço (estímulo) a sua aprendizagem. Você é o protagonista deste processo!!

 A HISTÓRIA EM DEBATE

Várias fontes foram selecionadas para auxiliá-lo em sua pesquisa (cf. na página Processo), a partir delas e também do texto base que você recebeu, procure ser protagonista em seu processo ensino-aprendizagem desenvolvendo as habilidades citadas ao pesquisar e discorrer sobre as seguintes situações abordadas: 

1.       O papel da energia a vapor é destacado como determinante para a eclosão da Revolução Industrial, mas somente a utilização do vapor não faz uma revolução. IDENTIFIQUE E ESCLAREÇA:

a)      Quais foram os PRINCIPAIS FUNDAMENTOS responsáveis por esse processo de transição e o advento da industrialização?

b)      Que outras condições fizeram da Inglaterra a pioneira na criação do complexo fabril conhecido como Revolução Industrial?

2.       Identifique e SISTEMATIze as principais formas de produção e as relações entre trabalhador e meios de produção a partir do período medieval.

3.       Ao pesquisar os desdobramentos do processo de Revolução Industrial você irá encontrar momentos com peculiaridades específicas. Estabeleça uma relação entre as diversas fases, pontuando as especificidades entre tais períodos.

4.       IDENTIFIQUE E CARACTERIZE as principais formas de organização do trabalho originadas a partir das repercussões do processo de revolução industrial.

A HISTÓRIA EM DEBATE: Em busca da aprendizagem significativa

O protagonismo na aprendizagem

Meu caro aluno(a), a seguir proponho a você uma atividade de fechamento da temática trabalhada, estabelecendo uma associação entre a realidade originada a partir da revolução industrial e seus desdobramentos no tempo presente. Irá nos auxiliar nesta tarefa um pequeno fragmento do livro Era das Revoluções de Eric Hobsbawm.

 

CONHECIMENTO E TÉCNICA

Qualquer que tenha sido o avanço britânico, ele não se deveu à superioridade tecnológica e científica. Nas ciências naturais, os franceses estavam seguramente à frente dos ingleses. Felizmente, poucos refinamentos intelectuais foram necessários para fazer a Revolução Industrial. Suas invenções técnicas foram bastante modestas, e sob hipótese alguma estavam além dos limites de artesãos que trabalhavam em suas oficinas ou das capacidades construtivas de carpinteiros, moleiros e serralheiros: a lançadeira, o tear, a fiadeira automática. Nem mesmo sua máquina cientificamente mais sofisticada, a máquina a vapor rotativa de James Watt (1784), necessitava de mais conhecimento de física do que os disponíveis então há quase um século. (HOBSBAWM, Eric. J. A era da revoluções: 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981).

1. Tradicionalmente, o desenvolvimento técnico e científico é colocado como principal elemento para a Revolução Industrial. Qual a visão de Hobsbawm sobre o assunto?

2. De acordo com vários teóricos, vivemos hoje uma nova revolução no campo da produção, baseada no desenvolvimento de novas tecnologias, como a microeletrônica, a nanotecnologia, etc. De que forma pode ser feita uma associação com a Revolução Industrial, considerando os dados do texto?

domingo, 7 de abril de 2013

PROJETO INTERDISCIPLINAR MARISTA 2013 - ROTEIRO DE OBSERVAÇÃO E ANÁLISE



Queridos alunos(as), agora nossa “sala de aula” é este cenário maravilhoso que precisamos explorá-lo ao máximo em seus diversos aspectos: histórico, geográfico, arquitetônico, ambiental...enfim, Vamos começar!! Fique atento(a) a  cada ponto selecionado e procure responder as indagações.

1. Visto de frente, de lado, de cima...enfim de qualquer ângulo mostro minha imponência. Meu interior revela ainda mais minhas características. Então, agora sua tarefa é identificá-las:
- Indique a época em que fui construído; Por que? Revele os detalhes de minha fachada (frontal). Sempre fui assim? Matematicamente o que pode ser percebido  em minha estrutura?


2. Fico bem perto do Teatro da Paz e também fui utilizado como opção de lazer à época da Belle Époque paraense. Identifique-me, cite a época em que fui construído e caracterize que opções voltadas para a exibição de filmes Belém tinha à época de minha inauguração.
3. Eu já não existo mais. Minha beleza já não pode mais ser contemplada. Também fui um  Hotel muito luxuoso à época. Você sabe quem eu sou? A partir da fotografia abaixo, descreva minhas características arquitetônicas?

3.1. Essa outra fotografia revela o "vizinho" (lado esquerdo), ele, assim como eu, também foi destruído e hoje em seu local fica o Basa. Cite que local era esse e a partir da fotografia identifique os elementos que merecem destaque na mesma.



4. Apresento uma excelente acústica. Minha estrutura condiz bem com a época em que fui criado. Para me conhecer melhor, descreva minha estrutura física e estética e esclareça qual minha função social à época em que fui produzido.

5. Você já me conhece muito bem. Portanto:
a) Quando fui criado e porquê?
b) você é capaz de perceber todos os detalhes que compõem meu corpo escultórico. Cite e descreva estes detalhes.
c) Minha beleza também é percebida em meu entorno. Por isso, caracterize melhor essa área: piso, postes de iluminação, etc.

6. Sou responsável por um dos títulos de Belém: “Cidade das Mangueiras”. Agora, mostre-me que você pode ir muito além, explicando:

a) Com relação as minhas origens...Sou natural da Amazônia?Justifique.


b) Podemos dizer que quem decidiu desenvolver o plantio de minha espécie na cidade já na segunda metade do séc. XIX foi.... e porquê?


c) Esclareça em que consistiu a política Lemista.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O NEGRO EM VERSOS


NAVIO NEGREIRO, Castro Alves


Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
(...)
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .
São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
(...)
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...
(Fonte: http://www.culturabrasil.org/navionegreiro.htm, consultado em 17/09/2011).